quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

publicidade

A moça, lá em cima do prédio
olha pra mim
olha pra nós
com o  olhar, que furto de Joaquim
de ressaca

Os demônios da propaganda
dançam e bebem
convidando-nos a entrar
na casta do consumo

O convite, regado a biquínis
e bundas...
quase irrecusável

Me observa de dia, de noite
de noite, de dia
todos os dias

Mal abro a janela
e a moça do prédio
está lá.
é...cachaça é bom
solução simples
dos gênios de plantão
para o amolecimento da alma
ontem bebi
amanhã beberei
hoje
hoje, serei eu
na chuva fria
a humanidade chora
eu...eu apenas
sinto
e reflito
até onde vou?
O pássaro morto
não passa mais por lá
O pássaro negro
não voa mais
As penas, o vento roubou
As carnes, a cachorra engoliu
e os ossos
estão no vaso.
Sob a campa esburacada
um aparente senhor
Cândido
serve as víceras
aos decompositores
um boçal em vida
nada mais na morte
o sabor amargo
sua falsa história
nas lágrimas do único
no seu enterro
Adonis
um gigantesco cão magro
que perambulava
pela bruma
do filme de terror.
Quem resiste
existe.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

É, não sei, não tive tempo
Não vi o relógio rodar
Esqueci as fórmulas
Mas falei bem mal do governo.
...doce madrugada



Faltou a rotação do vinil e aqueles estalinhos deliciosos.


Sobrou, dançando pelo ar, os sonhos e desejos que expelíamos vagarosamente.


E nossos corações encontravam o compasso do sono apaixonado...


Misturados, embolados num sambinha miúdo.


Surdo frouxo, caixa rasgada e um cavaco sem cordas.


O bloco da preguiça dos amantes cansados.
volto, depois de algumas semanas, ao eco dessa sala escura e fria. cresce pelo vidro da tua tela ervas daninhas. cresce o vazio e minhas palavras são tristes, vivendo a maturar, como um vinho velho, suas subjetividades.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Cheiro Podre

parte II

Muitos homens roncavam num sono que parecia delicioso. Deveriam estar sonhando com suas casas, suas mulheres, suas pingas. Um deles acordou assustado, me perguntando o que um garoto fazia por ali. Respondi que estava salvando-o, que a hora era aquela. Silêncio. Ouvi lentas lágrimas e suspiros... Na ponta dos pés me aproximei do homem. “Vamos, vamos, te ajudo a sair daqui”. “Vá embora jovem. Isto aqui é a nossa casa e nossa cura”. “Estamos bem.”. Engoli salivas. “O que?”. As palavras daquele homem eram tão sinceras. “É a chance que temos de voltar a vida!” Um estalo, decepção, tudo aconteceu tão rápido e pesado que nem consigo descrever na verdade o que se passou. (se pudesse descrever... não consegui o efeito que procurava. Este trecho, sem emoção alguma, não deveria estar aqui, mas... enfim... enchimento de linguiça) Tive que sair. Corri dali até a vala novamente. Me encontrava num estado estranho. Tudo parecia um sonho mal sonhado. Foi tão rápido. Cenas de filme. Me achei um lixo, um verme, um burro. Na tentativa de correr à moita fui pego de surpresa pelo velho segurança. Delegacia, conselho tutelar. No dia seguinte era outro menino que acordava na minha cama. Minha imagem no espelho: rosto deformado pelas milhares de pancadas que levei de meu pai.


Minha imagem na mente: era só um pavor e desilusão.

Era um garoto inocente como qualquer outro. Hoje,homem, continuo a fazer besteiras de criança. O mundo conspira contra mim. Tudo que faço é errado, de ultima hora, mal feito. Se tivesse um corpo feminino ao meu lado... Corpo sábio como o de Sofia. Ah Sofia! Que a pouco me deixou. Claro! EU quase quero me deixar.

Sofia é a mulher mais incrível deste mundo. Linda, deliciosa. Muito mais inteligente que eu. Muito mais talentosa. Muito mais tudo. Sempre senti vergonha das minhas artes. Ela via tudo, analisava tudo e criticava atenciosamente. Limpava a casa, lavava minhas roupas e saia pra trabalhar, trabalho que me sustentou por longos meses. Sofia, um dia, enquanto fumávamos um, ordenou que eu arrumasse um emprego. Minha poesia e pintura? Ninguém comprava. Prometi que na manhã seguinte sairia atrás de algo. Prometi com palavras sólidas e decididas. Recebi um sorriso lindo e um olhar pela promessa que dentro de mim corria de um lado pro outro, desesperada pra desaparecer.

Acordei na manhã seguinte inspirando o delicioso cheiro daquele café de Sofia. Comemos juntos. Eu havia colocado minha melhor roupa, barba feita, cabelo penteado. Naquele dia não era mais o troglodita que sempre fui. Acompanhei aquele anjo até o ponto de ônibus. Ia ela para o trabalho de todo dia. Eu no ponto, borbulhando de não sei o que fazer, acendendo o primeiro cigarro da manhã. Andei o dia inteiro sem dizer uma palavra, sem olhar uma vitrine, sem comprar um jornalzinho sequer de empregos. Uma hora, sentado num banco de praça, mirei o chão e encontrei um papelzinho amassado que dizia:

“Venha me conhecer. Sou linda, carente e experiente. Procuro você para me seduzir, homem forte e viril. Venha! Estou na Rua Florianópolis, 142.”

(O episódio que se segue é extremamente absurdo e nojento)

Ri muito ao ler aquilo. Não sei por que, ria e ria sem parar. Como era possível? Entre risos, uma curiosidade gigantesca tomava conta de mim. “E se for uma doida carente gostosa?” “É sorte!” “Encontrei este papel por algum motivo”.

Levantei num certo desespero, num desejo intenso de saber quem era aquela mulher do papel. Corri até o endereço escrito. Era uma casa antiga, sobrado feio, esquecido. Apertei a campainha, vi mexerem as cortinas, o portão se abriu. Entrei lentamente, com certo receio e até medo. Como alguém abre um portão assim? Não havia ninguém na porta. Entrei e encostei-a. Virando o corredor, quase tive um ataque cardíaco. Num sofasão de couro, uma velha tarada clamando amor. Ó céus. Ia me afastando e ela disse “Pare!”. Prometeu-me quatro onças por uma boa trepada. Aceitei. Sem comentários para o que se passou no velho sofá.

Terminado o serviço, sai quase que correndo do lugar obscuro. Cheguei em casa. Sofia me esperava com um jantar. Dei-lhe um curto beijo e corri ao banho. Lavei-me, deixando escorrer pelo ralo o suor nostálgico da velhaca e meus pensamentos desorientados. A água caia gentilmente sobre minha cabeça quente. Parecia a mão de Sofia e seu carinho. Estava pensando no que diria a ela. O que faria se minha amada descobrisse meu pecado? Resolvi mentir. Já havia mentido tantas vezes...

Contei a Sofia que havia arrumado um emprego e que iria começar no dia seguinte. Foi festa. Foi confete. Sexo quente e contente. Deitados na cama, drogados de amor, ela acariciava meu peito peludo, abobada, feliz. Eu estava me corroendo por dentro. Senti vergonha, me arrependi. Uma súbita tristeza me invadiu e caí no sono.

Na manhã seguinte não senti o cheiro doce de café, encontrei apenas uma carta borrada no meu mudo criado:

“Te deixei. Vou embora triste, soluçando. Meu próximo passo era te pedir um filho. Um filho! Ainda te amo, mas o ódio que cresce em meu peito engolirá todas as nossas boas lembranças. Nunca me procure.

Com muito ódio

Sofia”



Anexado ao papel, um pequeno bilhete chamava atenção. Era a razão disso tudo. Fui delatado pela minha calça. A velha, a velha... havia deixado o telefone e mensagens pornográficas no bolso.

Sempre só como agora. Sempre.

Depois que Sofia partiu acabou-se tudo. Foi um soco na cara. Um daqueles socos do meu pai, que afundam o nariz na face. Minha vergonha era tamanha que não podia olhar nos espelhos da casa. Não conseguia, por mais que tentasse. Era eu inimigo de mim, travando a batalha das contradições.

Sofia é a razão do meu estado atual. Sofia. Sou um filho da puta. Um grande filho da puta.

Estou no meu mundo amassado. Pisando nas caixinhas vermelhas. Lavando suor de velha. Esse é o meu estado. E se Sofia não tivesse encontrado o bilhete? Poderíamos estar agora rolando nesta cama antes branca agora cinza. Ainda sentiria o aroma da pele e do café. O que sinto agora é fedor. Tudo exala um cheiro de enxofre que invade minhas narinas e meu cérebro. Estou tão arruinado que minhas paredes estão verdes de mofo, bolor e todas essas merdas que antes eu comia em queijos e agora me abraçam. Impossível descrever a situação em que me encontro. Já falei tanto. Mas é tão pouco. Os detalhes tomariam folhas inteiras. Minha geladeira, por exemplo:

Se é que posso chamar de geladeira essa peça quadrada de metal. Não há absolutamente nada comível nas prateleiras. Tudo está podre. Alface, cenouras, maçãs, leite... Tudo podre, vencido pelo tempo. O congelador não sabe se gela ou esquenta. Totalmente quebrado, formando sempre uma enorme poça de água no chão.

Cansei.

Cansei. Cansei. Meu limite já se foi. Preciso conversar com Deus. Preciso de Deus. Preciso... Não. Não preciso de ninguém. Tenho é que educar-me. Onde estão minhas drogas? Revirei minha carteira atrás de algo. Nada. Nada. É sempre um não, um só, um nada atrás do outro. Minha vontade agora é me drogar como na viagem de 75.

1975. Ano em que eu e mais cinco conseguimos um Fusca. Ano em que eu descobri que cogumelos eram ônibus mágicos. Íamos sempre a algum pasto procurar um guichê inteiro. Vale a pena descrever o dia em que vi os velhos que eram árvores.

(o trecho a seguir é o meu predileto)
Comíamos os fungos como se fosse salada. O barato batia tempos depois e tudo brilhava cintilante e vivo. Uma rosa não era apenas uma rosa. Era a rosa, cheia de mistérios e significados. Pétalas perfeitamente coladas, odor de mulher, fragilidade de flor. Obra de arte simples crescendo na terra. A rosa era a explicação do amor. Sofia era a rosa. A paixão era a rosa. Ás vezes um dos meus amigos era também uma rosa humana. Nova pessoa. Outra capa, outra face. Todos vestiam novas roupagens como um baile a fantasia. Uma pedra não era apenas uma pedra. Era toda uma cidade de concreto. Era a materialização de todas as nossas idéias brutas. Quando o homem se empreguiça e se rende tudo fica mais fácil de explicar. A ilusão dos fungos traz respostas imediatas as coisas que queremos resolver, prolongando a merda da realidade. Bom ou ruim? Bom. Alguns de nós já morreram mesmo. Ruim. Existe esperança na rosa brilhante.

O importante é que naquele dia, naquele pasto, naquele ônibus, ouvi muitas verdades. Talvez as verdades já estivessem dentro de mim e eu as teria antecipado. Mas foi mágico mesmo assim.

Flutuando sozinho por um bosque de mangueiras doces, seguia um caminho de vacas. As bostas eram gotas enormes do líquido viscoso das metáforas que escorriam das árvores. O tempo era lento. Sentia-me bem, um bem sinestésico. Os odores me acariciavam, os sons eram deliciosos apalpando minhas orelhas. Vi um pequeno filme de formigas. Formigas, besouros e aranhas, no mesmo ritmo que o meu tempo marcava. Sempre a sorrirem para as folhas que avistavam. Se visse um unicórnio não ficaria indignado. O estado em que meu espírito se encontrava era transcendental. Uma hora perdi minhas forças e fui ao chão. Senti como se cipós e raízes me envolvessem. Não era agressivo o processo. Era estranho apenas. Deixei-me levar pela viagem.

O susto veio quando ouvi uma voz grave. “O que faz aqui meu amigo homem?” Tentava responder, mas meus lábios tremiam. “O que fFaz aqui aaaamigo homem?” Me esforcei. Tomei forças. “Na...nada não, é só um passeio” “Não sinntaaaa MEdooooo, sssomos apenasss manngueirass Cheias” Não sabia de onde as vozes estranhas...

FhóíoH F Hih ´fOzç HF ÓH EOHFO WH F HSDLFKWHE FÓIH OIHF WIH GSD?g?wewefwEFwef?WFSF/ S/SD?fSdf?sdf?sdfwefweF/wefWEgggdfg oifj piuh g´´ohi çõhg lkshd óih óirgoih õih í y oiyíy30y[´oih ~\lkj íogiieieieiowie fhf sldkfh ~skhfói rknl\xkc´\hyr [ihw eóh ó\i gçlh oi oi ÓIH ÇJDNG ÉOIR GKNH RÕHG ÓIHY ROG

E quando a realidade veio a tona, um baque. Um alívio. Eram o rapazes escondidos nas moitas.

Se aquilo mudou minha vida? Não, mas provou que por dentro somos muito mais infinitos do que pensamos. Tudo que vi era fruto da minha própria mente entorpecida. Porque então nunca consigo criar algo extraordinário? Sempre caio na mesmice das coisas, totalmente influenciado por tudo e todos. Tudo o que faço e fiz são cópias com um temperinho a mais. É como fazer miojo cheio de coisa, cheio de queijo, de ovo, de besteirada. No fundo é só o miojo mascarado.

Sinto fome. Mas fome verdadeira. Não essa fome egoísta que a burguesia reclama. “Tô morrendo de fome” Frase chucra, maldosa. O que sentimos ( nós que possuímos condições de comer o dia todo) é somente o hábito de se empanturrar cutucando o estômago quase sempre cheio. Mas hoje sinto fome de miserável. Sinto dores, calafrios, moleza... A geladeira podre, tudo podre. Não consigo nem me levantar. Me encontro bêbado dentro de uma casca. Sinto saudades de minha mãe, Dolores Andrade de Freitas.

Dolores remete dores. Dor era o apelido de minha mãe. Dor era o que ela sentia quando desciam os punhos de meu pai em todas as partes de seu corpo magro. Mas o que doía mesmo era a indiferença do homem com todos os nossos sentimentos. Lágrimas eram crocodilos medrosos. Éramos escravos. Éramos cavalos, burros, jegues, cachorros. Mamãe nunca foi gata nem avião. Nunca fui um Filhão. Nunca tive sequer um abraço demorado de meu pai. Minha casa era qualquer lugar fora de casa. Por isso invadi clínicas, matei gatos, roubei bombas, fumei, bebi e briguei. Andar por aí enriquece os neurônios. Pelo menos pra mim. Quando digo andar, quero dizer uma grande andada repleta de análises e observações. Fotografar com os olhos os rostos dos senhores da praça, admirar como são verdes as folhas dos buchos da praça, sonhar filhos e casas, sonhar milhões de zeros na conta bancária. Queria eu ganhar na loteria. CRISTO! Milhões e milhões pra jogar fora, pra dar pra quem eu quiser. Dinheiro que eu poderia comprar o melhor uísque e charutos.

Deitado, nessa cama feia, sinto como se meu quarto navegasse pelo universo. Ao abrir portas e janelas, me depararia com um negro infinito cosmos de mistérios físicos e metafísicos. A loucura do universo é imensa. A loucura dos pensamentos que me envolvem ao olhar o céu é imensa. Enquanto escrevia este fragmento, olhava o céu... Oh céu! Será que algum deus olha pra mim lá de longe? Algum extraterrestre? Algum satélite?

(logo logo vem o último capítulo)
às vezes
na madrugada
meu corpo
é oco

minha
alma energética
se move

o exoesqueleto
permanece
no leito
sonolento

pensamento nulo
natação lunar
viajo
até
um vilarejo calmo
uma grota fresca
e honesta

casinhota
úmida e verde
do musgo
e das ervas

um velho
de face rasgada
nesgas antigas
olhos profundos
translúcidos
leves e finos
cabelos pálidos

balbuceava
segredos
que não cabiam
no oríficio
urbano da minha
orelha

como um
toca discos
velho
que exala
uma canção
macia e ruidosa
(mesmo quando
há o
simultâneo ruído
o produto final
amortece
os sentidos)

o velho
parecia
reger um concerto

permanecia longe
mas perto

tão longe
que eu
mal entendia
sua canção
tão perto
que sua íris
me conduzia
a uma
viagem plástica

poderia permear
aquela velha alma


mas não
saberia
decifrá-la

ainda não
havia entendido
a canção

tento
aproximar
os ouvidos

faço força
uma força extrema

oh céus

agora
meu dedos
movimentam-se

agora meus
olhos abrem
lentos

pulsação

quero voltar
quero voltar

quase
por pouco
pela primeira vez
estive perto
de uma verdade
absoluta
como a morte.

Lichtenstein7

Tentativa de um fim de semana simbolista.

baseado em fatos reais, palmas para o Ré à Vida


Sabor da terra fragmentado no palheiro
A luz do candeeiro na face do vaqueiro
Suor nas conversas desconexas e complexas
Artrópodes no azeite, tetrápodes um deleite
Uma mordida gulosa, duodeno, jejuno, íleo a mostra
O fel, asco, viscosidade, devaneios da idade
Engradados da cidade empilheirados, ponto de fusão
Etanóis enraizádos, empoleirados, a mente: ebulição
Bolas, oras, a precisão dos taco dançante
Sobre o pano verde, cartas e grama delirante
Delírio? Coletiva a fina locomotiva de fumaça
Dose rubicunda, rúbida, rubente
Face inflada, carmim, um repente
Einstein, Wolfgang, Lichtenstein
Cream, dream, clean, soul floating
Fá bemol, arpejo, um acorde em sol.
O mundo gira e inspira uma esgrima
Duelo humano, o amor, o elo, o lero...o lero...o lero...

Notícias do meu ciclo de vida

Há alguns dias um conhecido meu levou bofetões humilhantes e, como um cachorro, foi posto na rua. Sua mãe, submissa aos preconceitos do marido, não lutou, viu-se fraca e apenas limpou lágrimas com um lenço covarde. Não sei por onde anda esse meu colega, sei que vaga por aí, de casa em casa, acolhido por almas boas. Um dia na casa da tia, um dia na prima, noutro no amigo... Que dureza, que pobreza de sabedoria aquele pai explicita nessas horas. Complicado para um político que "luta" pelo povo. O motivo de todo esse circo: a decisão do garoto de assumir sua sexualidade. Homossexual, gay... Para o pai: bicha escrota, mulherzinha, afeminado de merda. Eis que ontem fico sabendo que uma colega delatou-se para mãe. Sua sexualidade havia sido guardada numa bolsa. A mãe por acidente abriu os bilhetes. Pânico... O mundo vai acabar, não é possível! Minha filhinha, tão normal... Precisa de um psicólogo urgentemente... É coisa da idade... É esse mundo pós-moderno. O pai da moça, segundo ela e a mãe, é capaz de infartar caso saiba do segredo espinhento da filha.

Talvez esses pais voltem atrás. Talvez, por terem uma cultura embolorada, devem ter tempo para pensar. Os filhos, jamais esquecerão.

Muitas imagens rodeam minha cabeça. Sinto um certo desejo de lutar por essas almas, de dar um colo, de soltar palavras doces. Essas coisas não mudam. Já nem sinto mais raiva da Igreja, dos antigos, dos avós. No fundo todo  o homem pensa em aceitar idéias contrárias as suas, mas um impulso fantástico faz com que o mal vença. Nosso egoísmo sempre vence... Nossa prepotência, nosso desejo tirano, nossa mente totalitária. A desgraça, o mal, o desentendimento sempre é mais atrativo.

Sinto vergonha de ser humano.
Desejo que minhas palavras não permaneçam esquecidas no papel. Espero um dia levantar-me e, romanticamente, lutar pelos fracos e oprimidos.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

que droga, que droga.
fui pego por algumas horas
escalei sozinho
um pico altíssimo no pensamento
acomodado, mirando a vida
só fica o eu em questão
eu e minhas questões existenciais
ninguém acolhe uma alma desregulada
é facil concordar apenas.
na consciência humana
lutar é para os fortes
calar para os fracos
mas vejo que no meu silêncio
brota uma flor madura
espinhenta e discreta
os curiosos podem podar
os amigos também
para os críticos
visto a capa da invisibilidade
temo a solidão real
temo não saber reger os devaneios
o amor consome
toda a força que mora em mim
e pelo amor
visto-me como pai e mãe
e abuso de todo aquele egoísmo saudável.
para os pais
somos brinquedos
de sangue e osso.
alguns duram 12 anos
outros uns 20
e te até aqueles de 40 e tanto
depois
passamos para o próximo estágio
me encontro por ai
na confirmação das bases
na diluição dos conceitos
na massificação dos homens
no compromentimento sentimental.
invejo os consagrados poetas
invejo os diretores de cinema
invejo o caseiro velho da minha chácara
invejo o pivete que levou minha carteira
cada um
muitas sinas
muitos fardos
o meu fardo é tão pesado...
alguns não suportam
e metem bala no crânio
conheci um deles
há quem sobreviva
muitos sobrevivem
e zanzam por aí
com os olhos
fundos.
com a língua
que deseja sempre
um novo sabor.
meu inventário cresce frenéticamente
mais um poeta.
mais uma poesia.
.

Beth já se cansava de virar o pulso a fim de examinar seu relógio barato. Tremia as mãos, batia as pernas e o lápis na carteira deteriorada. Os ponteiros seguiam sossegados o círculo temporal que aprisiona a humanidade. Olhos nos números, olhos na lousa, olhos na bolsa pendurada. Era aquela surrada bolsa, calcada de memórias, a indústria de todo aquele furacão de sensações que a consumia.

Culpa, medo, dúvida, excitação. Adrenalina a todo vapor cortando sua ingênua corrente sanguínea. Seus 26 anos não foram suficientes para que o juízo se equilibrasse.

A bolsa estática, coisa morta, que carregava um fardo inédito, acomoda-se naqueles ombros curtos de mulher. Banheiro, assento, olhos no teto, olhos no teto, olhos no escuro.

O frio do metal no céu. Neurônios espalhados pelo piso.

Entrevista com Jason Gomes.

-retirada do livro "Gritar Ero, manual do rock star"

*Como foram as gravações do novo disco?

Bom... Os primeiros dias foram aquela porcaria cara. Eu estava de saco cheio de ficar gravando a mesma coisa toda hora, não tava rolando. Isso me estressava e eu bebia e fumava o tempo todo. Até que o produtor trouxe agente pra cá pra fazermos tudo ao vivo. Daí as coisas andaram e deu no que deu. Gravamos um dos discos mais criativos do século xx.

*Como você lida com as críticas a respeito do que o público chama de “metidesa excessiva”?

Cara, só me criticam. Eu quero é que se fodam. Os caras gostam disso, dá na mídia, ficam enchendo o saco. Faço música porque gosto um tanto, quem quiser ouvir e ir aos shows que vão, se não apodreçam em suas casas ouvindo esses rockezinhos de merda, que eu to pouco me lixando.

*Você é endorser de grandes marcas e recentemente uma delas te processou por quebra de contrato. Como foi essa situação?

Olha. Não teve quebra porra nenhuma. Odeio essa filha da putagem das grandes marcas. O que aconteceu foi que ganhei de um grande amigo meu um violão artesanal feito sob medida, coisa fina, que usei durante toda a gravação do disco. Nos créditos coloquei uma homenagem a esse amigo além de colocar a marca da porcaria dos violões e guitarras que eu era endorser. Os caras ficaram irados com isso! Sem comentários... Preferi largar a mão de usar o produto deles.

*Como começou a tocar?

Eu tinha 12 anos quando vi uma guitarra pela primeira vez. Foi mágico. Meu contato com música era limitado. Não tinha muitos discos e meus pais nunca tiveram o costume de falar sobre música. Essa guitarra, vi numa vitrine, quando fui pra Maçaroca do Norte visitar meus avôs. Chorei e consegui que meu pai comprasse a guitarra pra mim. Não era cara, era uma porcaria, mas mesmo sim tinha um brilho incomum. Aquele episódio sensacionalista da polícia foi por causa dessa guitarra. No show da turnê de 95 um dos roadies deixou um caminhão passar por cima dessa guitarra que sempre carreguei comigo, que sempre ficou de enfeite no palco, virando até marca registrada do meu set up. Foi uma só. Quebrei a cara do imbecil e não fiz o show da noite. Fizeram alarde por nada porque o garoto era negro. Outra passagem que eu nem faço mais comentários. Bom...então a partir daquele dia eu comecei a praticar com os discos e deu no que deu.

*Quando conheceu BB King, como foi sua conversa com ele?

Conheci aquele gordão em NY. Meu inglês ainda era uma porcaria, mas consegui absorver bastante coisa. Eu particularmente não ouço BB King. Gosto mais das palavras dele do que do som de sua guitarra. Sempre conversamos e quando vou pros EUA nos encontramos em algum café. Nunca tocamos juntos.

*Não têm medo de morrer vítima das drogas?

Sempre me fazem essa pergunta. Acham que eu sou um doidão que vive cheirado e bêbado. Tenho meus dias...mas exageram demais. Perdi meu pai, minha mãe, esposa e filho num acidente de carro. Morri naquele dia, não tenho nada a perder. Sou apenas uma sombra esperando a morte. Talvez inconscientemente eu esteja querendo acelerar minha morte. Só paro de beber e fumar quando estiver na cova. O resto já está enjoando. Logo partirei...

*Mas e a dependência química?

Isso não acontece comigo. Sou uma anomalia humana. Por isso todos têm inveja. Fiquei quase um ano limpo na boa.

*Faz vinte anos que você está com a mesma banda. Não cansou?

Não e nunca vou cansar. Só tivemos uma briga séria a muito e muito tempo. Cada um sabe o que faz. Eles são os melhores músicos do mundo e sempre me disseram isso também. Acredito nisso.

*Apesar das críticas, quem te conhece realmente se apaixona, principalmente as mulheres. Porque?

(RS) Sou apenas eu cara. Muitas mulheres que já tive ganhei com palavras. Poesia por exemplo. Mulheres são românticas, gostam de flores, de poemas, de bobeiras... Os roqueiros gostam de beber e falar merda. Sou tudo ao mesmo tempo. Sempre tive amigos de todas as cores, formas e bolsos. Se quiser aparecer em casa para me ver cantar e tocar pode ir!(RS)

*Deixe uma mensagem para os leitores!

Não se apeguem a revistas como essa. Vivam suas vidas musicais de acordo com os sentidos e a realidade. A poesia está em tudo e o mundo concede milhares de idéias novas a todo momento!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Cheiro Podre

parte-I

Bárbara vivia num apartamentinho barato na Rua Marquês de Pombal, comprado e mobiliado com metade da herança que recebera de seu falecido pai. Móveis provenientes de antiquários de todos os cantos. Quarto, sala, que de vez em quando travestia uma cozinha, e um banheiro grande com uma banheira velha. Plantas davam um clima de frescor, ou pelo menos a impressão. Elas rodeavam o terreno sempre vivas e floridas. Além de plantas, Bárbara cultivava artrópodes. Aquários e aquários de besouros, aranhas e formigas. As aranhas tinham nomes:

Márcia, Leninha, Leda e Valdete. Grandes e peludas, representavam mulheres notáveis na vida de Bárbara.

Márcia e Leninha (filha de Márcia) se tornaram grandes amigas de Bárbara. Leninha com sua voz surreal e cativante e Márcia com seus leves dedos que faziam gemer o piano. Leda foi avó de Bárbara. Senhora boa, sempre a sorrir em qualquer situação. Vó das mais vós desse mundo, que empanturravam os netos de comida e mimos. Havia criado sua neta por toda a vida e foi a causa de centenas de dias depressivos e molhados quando se foi. Valdete por fim, era a última amizade que Bárbara havia concretizado. Tornaram-se quase irmãs após passarem dias se encontrando num mesmo banco de ônibus. Eram uma o oráculo da outra. Sempre confidentes e atenciosas.

Os outros bichos, por serem muitos, não possuíam nomes, mas seus significados eram interessantes. As formigas representavam a organização de Bárbara e os besouros, traumas de infância. Quando cresciam os besouros, ela fazia questão de sacrificá-los com alguma sola de algum duro sapato. Esses ataques assassinos vinham geralmente com as crises de estresse e enxaqueca.

Todos os animaizinhos de estimação ficavam sobre uma enorme cômoda azul do banheiro (o banheiro era grande mesmo) que de vez em quando hospedava também baratas sujas da rua, que sempre encontravam jeito de entrar. Sempre.

O banheiro oferecia também a já mencionada banheira velha que era chamada de Josefa. Como não havia mecanismo de aquecimento para enchê-la de água quente, Bárbara esquentava panelas e panelas para que pudesse mergulhar suavemente nos seus costumeiros banhos de sal.

O quarto era entupido de livros, roupas e objetos antigos. Telefones, brinquedos, chapéus, louças, rádios, discos... Dormia numa cama de princesa e se maquiava num espelho colonial. Não possuía computador, nem celular, nem mp3 e muito menos TV. Amava filmes e, apesar de não assistir nada em sua morada, via tudo no cinema ou na casa de Valdete, que era cinéfila compulsiva delirante.

A sala/cozinha era um espaço amplo e muito aconchegante. Almofadas pra todos os lados, banquinhos das mais variadas dimensões e cores, duas poltronas verdes e uma pequena mesinha que ora acomodava panelas e pratos, ora garrafas e tocos de cigarro. Num cantinho ficava um pequenino fogão de duas bocas e uma geladeirinha do tipo frigobar. Comia pouco em casa. Na verdade comia pouco em qualquer lugar.

A casa de Bárbara era basicamente assim há dez anos, quando eu ainda pintava. Hoje, a casa deve estar comida pelo bolor da dispensa. Era um dos poucos quadros que achei bonito. Poderia ter vendido a casinha de tinta por uns bons reais, mas deixei que apodrecesse, havia cansado de sonhar, de brincar, de fazer de conta que era artista. Faz dez anos que não pinto, que absolutamente não pego num pincel. Faz dez anos que estou na escuridão, escondido na minha própria pele. Bêbado da solidão que encontra o homem e contorce e rasga a alma. Solidão que me força a procurar tudo por unidade. Preciso sair daqui, preciso me libertar desta jaula de lembranças que comprime minhas ações. O ponteiro faz as voltas, pra mim não existem números. São apenas figurinhas coladas no despertador como uma placa de trânsito alarmando curva fechada. Só sigo caminhos em curvas. Estradas esburacadas, remendadas de maneira feia e vagabunda. Sou só eu no mundo do meu quarto podre, que ilustra meu estado de depreciação.

Caixinhas e caixinhas vermelhas de cigarros. Caixão de fumaça. O rótulo do uísque me chamando como naquela noite na repartição:

“-Me prova! Me prova!

É a festa do rei!”

Papéis amassados, cabelos amassados. Tudo amassado! Minha cara chata, minha cama suja, minha porta descascada, meu teto infiltrado. Tudo amassado pelas merdas que cago constantemente por onde passo. Sou só. Sou só.

O que faço da vida? Como compro caixinhas vermelhas? Como pago o aluguel?

Supro desejos de algumas velhas vizinhas enrugadas. Sem prazer nenhum. Consigo dinheiro com isso. Sou doente, devo ser doente. Sobreviver comendo velhas esclerosadas, caquéticas. Gostaria de ouvir histórias da ditadura, mas elas insistem no conteúdo adulto. Sou eu o caduco necessitado! No final, acabo fingindo que foi bom. Fingimento demais vira quase uma realidade, difícil de lidar.

Uma dessas velhas taradas me botou um apelido... que, que, que... não sei dizer, me faz gemer de raiva, de ódio. Ás vezes tenho vontade de morrer. Ás vezes de matar. Se fosse matar, começaria pelas senhoras que penetro semanalmente. “Vem pra vovó meu poetinha!” Me chamar de bebezinho poeta?

Só dou tiros errados. Sempre foi assim. Sempre será.

Certo dia, quando tinha uns quatorze anos bestas, vivi o primeiro fato podre da minha vida.

Éramos quatro amigos, bombas de são João, meio litro de cachaça barata e os primeiros cigarros que fumei nessa medíocre vida. Nosso plano era libertar todos os bêbados da clínica de reabilitação pública. Contaram-me na época, que os caras sofriam e nada adiantava, voltavam pras ruas e bebiam tudo que não beberam naquela falha tentativa de largar o vício. Então resolvemos fazer algo. Saímos à meia noite de um sábado, sabíamos, por alguns informantes, que era fácil invadir o local, que contava com apenas um velho segurança e algumas enfermeiras gordas.

A clínica era na zona rural da pequena cidade que nasci. Não era longe, mas estava uma escuridão muito, muito preta. Fomos fumando e bebendo e sintetizando adrenalina. Uns vinte cinco minutos de caminhada alcoólica. Juventude transviada. Rebeldes sem causa com causa. Jovens burgueses pseudo-intelectuais.

Pulamos a grade e nos escondemos numa moita. O álcool já subia a cabeça e os outros não paravam de rir. Rir numa situação daquelas? Avistei uma vala na parede que ficava próxima a entrada do local. Corri e corri e me escondi. Fui o primeiro e o único. Os garotos, por algum motivo que nunca descobri, correram à grade e foram embora. Sim, foram embora assim, do nada. Restava eu, só, naquela solidão que agrava a mente. Nervoso, excitado, quis também voltar atrás, não podia. Corri até a porta, não havia ninguém. Por onde andava o velho guarda? As enfermeiras dormiam todas juntas num quartinho pequeno de apenas uma porta. Trancada esta porta fiquei no sossego. Era só penetrar no leito bêbado e pronto, poderia rir sozinho por ter libertado os necessitados. Entrar foi fácil... continua

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Da cadeira
Vejo meu espectro vagando pelo quarto
Que leva vontades nas costas
Que arranca a roupa preta da bela adormecida
E passeia com seus lábios
Degustando a pele estática
Botando em brasa o frio desejo
Escavando as pálpebras preguiçosas
Cornetando os ouvidos anestesiados
É só meu espectro
E eu aqui sentado.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Quando os galos cantam sua ópera.

Nunca gostei de frango na panela. Aquele frango ensopado, aquela água grossa onde bóiam miudezas, cabeça, asa, pé. Bom é empanado ou à passarinho. Nuggets é razoável.
Madrugada passada, madrugada cansada. Os galos me enfureceram. Acordei , corri ao banheiro, descarreguei as excretas e voltei para a cama. Os bichos já cantavam alto, sem parar, loucos, doidos, hiperativos. Pronto, minha mente não descansava mais, meus olhos não fechavam e um desejo cresceu em mim. Ódio puro! Morte aos galos. Desejei a morte, o sangue e a humilhação. Mal pensei que os culpados eram os meus vizinhos japoneses. Rolei na cama, a cama rodou. Eram seis e meia e peguei no sono.
Hoje
minha aura é cinza
como o céu chato
atrás da janela.

E chove em mim.

Sou ameba de orelhas e bocas
e olhos e ouvidos.
Lenta.Mole

Sem forma e sentimental.
Ossos do ofício de ser gente!
Não queremos mais tiros de tinta
acabou a caixa de balas
abandonamos as pistolas de pressão

Torça nossas palavras!
No balde o resíduo
é a verdade que se esconde

Sob a pele e a língua
vontades
algemadas e empoeiradas
no porão.

??

Subitamente tomado
por um desejo
indescritível
de parir versos
ajeito a esferográfica popular
nos meus dedos roliços
me ponho a escrever
despretenciosamente
palavras, frases
que nem sei ao certo
os significados
mas que saem como suor
dos poros da minha
imaginação.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

13:24
hora que eu
sentado, leio a revista
semanal besta
e pinto a porcelana
branca
de comida processada
quarto rebervado
que lavo impurezas da noite
do dia e da vida

uma certa rua paulista

vestidos de dez mil
mulheres de cinquenta
na boca, fumaça das drogas
propaganda sexual
perspectivas de vida
desoportunidades
liberdade
paus arrancados
peitos de plástico
matéria de cultura
cinemas, piratas
sushi ou feijoada
perfumes e cê cê
é véio, as parada
as quebrada
movimentos monetários
holding, truste
multi nacional
poeta! comprarei teu folheto
puta! comprarei tua bunda
mendigo! comprarei teus sorrisos
paradoxos urbano sociais
do jardim de ouro ao velho vale
Luxo, lixo, pecado
imoralidade
fantasia infantil
contos de fada
épicos de guerra
ESCADA PARA O CÉU
ELEVADOR PARA O INFERNO

terça-feira, 28 de julho de 2009

Poema de meu grande amigo Pedro.

Maria Maria

Dona Maria,
Maria da Graça,
mais força em cada dia
e mais dia em cada força

Não desanima,
mostra tua cara.
Que um dia...Ah um dia!
Um dia a vida vem

Não desanima,
um dia vida vai!
Se anima!
Acredita no Pai

Levanta teus braços pro céu
coloca teus pés no chão.
Não é um sonho,
coloca esse teu véu.

E mostra tua cara

terça-feira, 23 de junho de 2009


DIGITE O TEXTO CONFORME MOSTRADO NA CAIXA A SEGUIR

  1. Redd = nova tonalidade de vermelho
  2. Calne = expressão cínica que substitui "calma"
  3. Axings = Onomatopéia daquele tenebroso espirro do seu avô
  4. Quat = 3,76
  5. Squi = esporte radical
  6. Pentm = objeto que os indígena penteiam os cabelos "pente m"
  7. Nonus = resposta à pergunta: os padres andam nus?
  8. Woonma = grito de guerra dos Woons

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Deus sorri como um negrinho

versão lucônica


Vi um menino
parado na calçada
Hipnotizado
pela vitrine do céu
Terços, imagens
e um magro e feio
menino Jesus
Magro e acabado
como o menino na calçada
Esquecido, empoeirado
como o menino na calçada
Dois meninos
filhos de Deus
Estátua pobre
Pobre estátua
O que pensava o menino?
Pensava o menino?
E o que pensava Deus
do menino?
Pés colados na calçada
Parecia ver sua própria imagem
na vitrine.
Pobre e seu reflexo
e talvez um motivo
que lhe rendesse alegria
Ia embora cabisbaixo
o menino pobre
sem sua metade.
me levanto do caixa
em lágrimas
Vi os sujos dentes do menino
Ouvi sua p a..la v ras
Com os olhos
segui o pobrezinho
até perde-lo
Ia ele e seu Jesus
pra sua casa de papelão.

"a preguiça é um demônio"
"palavra e silêncio matam"
"somos, apenas somos"
"o medo é o deus dos infiéis"
"o amor é o engenheiro da saudade"
"o sexo é o alívio da alma"
"a liberdade é prova de necessidade"

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Curto Circuito

Me encontro neutro
na labuta dos inquietantes
pensamentos de sete cabeças
Ora amarela
ora negra
minha boca cambalea
saturada de contradições.
Pernas marcando o tempo
da minha solidão
Temo culpas fictícias
Choro pecados falsos
Meus olhos
olham só cores e formas
Vejo o branco vaso
e um rio da minha sujeira
indo embora pelo cano
Mastigo dores e unhas
e dedos calejados das
cordas duras
Só busco o Nada dentro
do meu vazio
Fecho janelas
portas e pálpebras
Deixo que raízes
cresçam no meu colchão

terça-feira, 2 de junho de 2009

A Santa Casa

Entre o corredores e dezenas de portas
vagam dores que alguém suporta
deixando um rastro, o dolorido eco
que transporta tristezas a alguém que espera

em alguma possível cadeira gelada de recepção,
detalhes otimistas de seu querido enfermo,
que revigora ou se decompõe no leito
observando a brancura e paciência das paredes.

mais iluminados, mais pacientes
são eles, engenheiros da vida
mecânicos da anatomia humana
dispostos a cumpriro dever que os chama

Os corações, dos anjos brancos ,
repletos de boas e más notícias
batem no ritmo frenético do seu dever:
prolongar a vida e atenuar a dor daqueles

corpos que as vezes sofrem.

Exparaísos Superficiais

Eram tempos tóxicos
corrida entorpecida
de jovem em busca
de uma impossível
existência metafísica


Doces Fumaças
Caminhos de Neve
Sintéticos Negros
Produtos da Dispensa


O tempo
derretido e comido de colher
O eco das palavras
desorganizadas.
A Antítese da verdade
Simples fuga.
Inconsequência hormonal interrompida.


São agora
outros tempos
Lúcidos
numa progressão geométrica
surreal, fantástica e
Puraa

Doses extremas de realidade
salpicadas de um Mol
de Imaginação

CROTALUS

Cuidado!
Auto Ajuda Explícita!
Tenham pena deles
No fundo, até te admiram
Não suportam serem
Menores que você
Precisam te eliminar
Afinal...você é o mais forte!
Mais adaptado.
Sinta-se nas nuvens
Tome decisões racionais
As deles que são instintivas.
Mas você...Você Pensa!
Sinta apenas
Não Cultive Ódio!

Zoo Maior com Sétima

Elis são como velhos amigos
humanos
Meu cachorro Chico
meu papagaio Ozzy
Minha salamandra Cássia
Meu macaco Barnabé.
Zumbi, meu outro cãozinho, lamacento.
Mingus, meu sapo.
Meu querido gato Oswaldo
Minha vaquinha Céu
ia me esquecendo...
tem meu terceiro cão, os espalhafatoso Bethoven
a aranha Janis
o peixe Franz
o lagarto Ferdinand
o morcego Kurt
Eric, o cabritinho
Esqueci também
do leão Bosco
do elefante João
do gorila Zeca
da girafa Marisa
dos besouros amarelos
todos os bichos e EU
navegando naquele incrível
Zeppelin
falando de tudo e de todos
Comendo Caju
lustrando móveis
rolando pedras
comendo nuvens
é pra chorar uma coisa dessas.
E olha que eu devo ter mais uns 5 mil bichos.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Vento, pode entrar
Deixo a janela aberta
pra ouvir você chegar
Bailam minhas folhas
voam poemas pelo quarto
Embaixo da cama, sob a fronha
O que veio buscar?
Já passei a vassoura
em toda a pele morta
Já aspirei a areia
de trás da porta
Devolvi aquele belo catavento
pro meu velho tio
Seu Preto Bento
O barquinho de papel
do aquário
Foi pro bucho do peixe Mário
Então, o que veio procurar?
Ah...deitado nessa rede
suado
melado
quente
agora eu sei porque veio amigo Vento:
pra acalmar meu poros
preu dormir mais refrescado
e nessa sesta preguiçosa
Sonhar mais sossegado.

PALAVRA!

Dependo da palavra
Nela durmo e sonho
Abro uma constelação
De idéias
Nada de vergonha!
A palavra abre a geladeira,
Deita no sofá,
No chão
Alegre, triste
Dói pensar em não te-la
Aqui comigo
Dependo da palavra
Nasci pra palavra
A MAIOR invenção da humanidade!

*Estado de Junho*


*Estado de Junho*
Ando num cio lexical
Gozando versos sem parar
Alguns poemas sujos
Outros imundos
Mas não paro, não paro.
Algo brilha no meu peito
remexe a consciência
molda meu caráter
Quilometros e toneladas de detalhes
não passam em vão.
Blocos de brinquedo
Sem manual de instrução
Meu poema é bruto, sólido
Minha poesia é frágil
uma rosa prestes a se despedaçar.

A Terrível Morte do Presidente I

*Alá, olha quem tá ali!
°Quem é?
*Olha uai!
°Tsc, cadê?
*Presta bem atenção no banquinho da direita.
°O caralho viu, não tô vendo.
*Cegueta da porra, segue meu dedo.

*Foi assim que perdi meu dedo.
Mágica, sei lá, inexplicável.
Meu amado Mínimo simplesmente descolou da minha mão e saiu saltitante
na direção do nosso querido presidente!

...continua

sábado, 30 de maio de 2009

nossa existência I

Em poucas coisas acredito.
As mais relevantes da minha vida:
amor, poesia, morte, dor
O amor equilibra o mundo
A poesia é tudo. Tudo.
A morte intriga a mente, alivia a alma e remexe o coração.
A dor é a prova da nossa existência e fraqueza.
Amar aquece o corpo, põe sentido em coisas pequenas.
Ler o mundo gera sabedoria. Sábios são os que sacam a essência das coisas.
Morrer de rir é ótimo. Matar a fome é um orgasmo.
Levar um baque, sofrer um acidente. Coisas que botam agente em outro caminho.



mais coisas depois

sexta-feira, 29 de maio de 2009

pequena foto da rua

São Paulo, Praça Roosevelt, algum dia de março de 2008


De um lado, rapazinhos rindo das figurinhas compradas, mascando uma exagerada quantidade de chicletes e balas, do outro lado, uma criança. Brincando com cola. Tirando pelinha da mão? Não, não... Era um saco inflado sem parar pra matar a fome, pra construir algo, um brinquedo talvez. Sua boca não sabia mais sorrir.
Era uma criança! Escura de pele, de alma e de sujeira. Em farrapos.
Cambaleando pra lá e pra cá avista algo: restos da feira, legumes cozidos de sol e frutas amassadas que um cãozinho simpático fareja.
Sentado no chão, o menino pede certa licença ao cão.
Os dois, contemplam o banquete descoberto, comem com vontades iguais.
Saboream sem reclame as frutas que o MEU cachorrinho...jamais comeria
ELA:
tem sorriso calmo
tem sorriso cálido
tem sorriso pequeno
tem sorriso fálico
tem sorriso palma
tem sorriso árido
tem sorriso sereno
tem sorriso pálido
sei de muitos outros
quase sempre
sou O alvo