Beth já se cansava de virar o pulso a fim de examinar seu relógio barato. Tremia as mãos, batia as pernas e o lápis na carteira deteriorada. Os ponteiros seguiam sossegados o círculo temporal que aprisiona a humanidade. Olhos nos números, olhos na lousa, olhos na bolsa pendurada. Era aquela surrada bolsa, calcada de memórias, a indústria de todo aquele furacão de sensações que a consumia.
Culpa, medo, dúvida, excitação. Adrenalina a todo vapor cortando sua ingênua corrente sanguínea. Seus 26 anos não foram suficientes para que o juízo se equilibrasse.
A bolsa estática, coisa morta, que carregava um fardo inédito, acomoda-se naqueles ombros curtos de mulher. Banheiro, assento, olhos no teto, olhos no teto, olhos no escuro.
O frio do metal no céu. Neurônios espalhados pelo piso.

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