quarta-feira, 21 de outubro de 2009

às vezes
na madrugada
meu corpo
é oco

minha
alma energética
se move

o exoesqueleto
permanece
no leito
sonolento

pensamento nulo
natação lunar
viajo
até
um vilarejo calmo
uma grota fresca
e honesta

casinhota
úmida e verde
do musgo
e das ervas

um velho
de face rasgada
nesgas antigas
olhos profundos
translúcidos
leves e finos
cabelos pálidos

balbuceava
segredos
que não cabiam
no oríficio
urbano da minha
orelha

como um
toca discos
velho
que exala
uma canção
macia e ruidosa
(mesmo quando
há o
simultâneo ruído
o produto final
amortece
os sentidos)

o velho
parecia
reger um concerto

permanecia longe
mas perto

tão longe
que eu
mal entendia
sua canção
tão perto
que sua íris
me conduzia
a uma
viagem plástica

poderia permear
aquela velha alma


mas não
saberia
decifrá-la

ainda não
havia entendido
a canção

tento
aproximar
os ouvidos

faço força
uma força extrema

oh céus

agora
meu dedos
movimentam-se

agora meus
olhos abrem
lentos

pulsação

quero voltar
quero voltar

quase
por pouco
pela primeira vez
estive perto
de uma verdade
absoluta
como a morte.

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