quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Notícias do meu ciclo de vida

Há alguns dias um conhecido meu levou bofetões humilhantes e, como um cachorro, foi posto na rua. Sua mãe, submissa aos preconceitos do marido, não lutou, viu-se fraca e apenas limpou lágrimas com um lenço covarde. Não sei por onde anda esse meu colega, sei que vaga por aí, de casa em casa, acolhido por almas boas. Um dia na casa da tia, um dia na prima, noutro no amigo... Que dureza, que pobreza de sabedoria aquele pai explicita nessas horas. Complicado para um político que "luta" pelo povo. O motivo de todo esse circo: a decisão do garoto de assumir sua sexualidade. Homossexual, gay... Para o pai: bicha escrota, mulherzinha, afeminado de merda. Eis que ontem fico sabendo que uma colega delatou-se para mãe. Sua sexualidade havia sido guardada numa bolsa. A mãe por acidente abriu os bilhetes. Pânico... O mundo vai acabar, não é possível! Minha filhinha, tão normal... Precisa de um psicólogo urgentemente... É coisa da idade... É esse mundo pós-moderno. O pai da moça, segundo ela e a mãe, é capaz de infartar caso saiba do segredo espinhento da filha.

Talvez esses pais voltem atrás. Talvez, por terem uma cultura embolorada, devem ter tempo para pensar. Os filhos, jamais esquecerão.

Muitas imagens rodeam minha cabeça. Sinto um certo desejo de lutar por essas almas, de dar um colo, de soltar palavras doces. Essas coisas não mudam. Já nem sinto mais raiva da Igreja, dos antigos, dos avós. No fundo todo  o homem pensa em aceitar idéias contrárias as suas, mas um impulso fantástico faz com que o mal vença. Nosso egoísmo sempre vence... Nossa prepotência, nosso desejo tirano, nossa mente totalitária. A desgraça, o mal, o desentendimento sempre é mais atrativo.

Sinto vergonha de ser humano.
Desejo que minhas palavras não permaneçam esquecidas no papel. Espero um dia levantar-me e, romanticamente, lutar pelos fracos e oprimidos.

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