quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

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A moça, lá em cima do prédio
olha pra mim
olha pra nós
com o  olhar, que furto de Joaquim
de ressaca

Os demônios da propaganda
dançam e bebem
convidando-nos a entrar
na casta do consumo

O convite, regado a biquínis
e bundas...
quase irrecusável

Me observa de dia, de noite
de noite, de dia
todos os dias

Mal abro a janela
e a moça do prédio
está lá.
é...cachaça é bom
solução simples
dos gênios de plantão
para o amolecimento da alma
ontem bebi
amanhã beberei
hoje
hoje, serei eu
na chuva fria
a humanidade chora
eu...eu apenas
sinto
e reflito
até onde vou?
O pássaro morto
não passa mais por lá
O pássaro negro
não voa mais
As penas, o vento roubou
As carnes, a cachorra engoliu
e os ossos
estão no vaso.
Sob a campa esburacada
um aparente senhor
Cândido
serve as víceras
aos decompositores
um boçal em vida
nada mais na morte
o sabor amargo
sua falsa história
nas lágrimas do único
no seu enterro
Adonis
um gigantesco cão magro
que perambulava
pela bruma
do filme de terror.
Quem resiste
existe.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

É, não sei, não tive tempo
Não vi o relógio rodar
Esqueci as fórmulas
Mas falei bem mal do governo.
...doce madrugada



Faltou a rotação do vinil e aqueles estalinhos deliciosos.


Sobrou, dançando pelo ar, os sonhos e desejos que expelíamos vagarosamente.


E nossos corações encontravam o compasso do sono apaixonado...


Misturados, embolados num sambinha miúdo.


Surdo frouxo, caixa rasgada e um cavaco sem cordas.


O bloco da preguiça dos amantes cansados.
volto, depois de algumas semanas, ao eco dessa sala escura e fria. cresce pelo vidro da tua tela ervas daninhas. cresce o vazio e minhas palavras são tristes, vivendo a maturar, como um vinho velho, suas subjetividades.