terça-feira, 29 de setembro de 2009

Quando os galos cantam sua ópera.

Nunca gostei de frango na panela. Aquele frango ensopado, aquela água grossa onde bóiam miudezas, cabeça, asa, pé. Bom é empanado ou à passarinho. Nuggets é razoável.
Madrugada passada, madrugada cansada. Os galos me enfureceram. Acordei , corri ao banheiro, descarreguei as excretas e voltei para a cama. Os bichos já cantavam alto, sem parar, loucos, doidos, hiperativos. Pronto, minha mente não descansava mais, meus olhos não fechavam e um desejo cresceu em mim. Ódio puro! Morte aos galos. Desejei a morte, o sangue e a humilhação. Mal pensei que os culpados eram os meus vizinhos japoneses. Rolei na cama, a cama rodou. Eram seis e meia e peguei no sono.
Hoje
minha aura é cinza
como o céu chato
atrás da janela.

E chove em mim.

Sou ameba de orelhas e bocas
e olhos e ouvidos.
Lenta.Mole

Sem forma e sentimental.
Ossos do ofício de ser gente!
Não queremos mais tiros de tinta
acabou a caixa de balas
abandonamos as pistolas de pressão

Torça nossas palavras!
No balde o resíduo
é a verdade que se esconde

Sob a pele e a língua
vontades
algemadas e empoeiradas
no porão.

??

Subitamente tomado
por um desejo
indescritível
de parir versos
ajeito a esferográfica popular
nos meus dedos roliços
me ponho a escrever
despretenciosamente
palavras, frases
que nem sei ao certo
os significados
mas que saem como suor
dos poros da minha
imaginação.